No 1º ano do Colégio estamos fazendo estudos sobre o surgimento das primeiras cidades e das classes sociais. Perguntei aos alunos, após seus estudos, quais as impressões que eles tinham sobre o nascimento das classes sociais quando surgiram os primeiros Estados. Nossos alunos responderam e suas respostas estão explicitadas abaixo. Podemos perceber algumas contradições e concordâncias.
Segundo Francisco Freire Filho (1ºD) “A distribuição dos alimentos era feita pelo Estado e ele (Estado) levava em consideração a profissão das pessoas, pois construir um prédio, limpar a sujeira ou plantar (todos os trabalhos geralmente feitos por escravos), qualquer um podia fazer, mas quem projetava os prédios, fazia os cálculos das construções não eram todos que sabiam. Então essas pessoas mereciam maior quantidade de comida, que era distribuída desigualmente pelo Estado, criando desse modo a desigualdade social”
Vemos que Freire considera o pensamento dos gestores do Estado como promotores da desigualdade por conta da má distribuição de comida baseada na ocupação das pessoas. A aluna Lídia de Oliveira (1ºD) tem uma visão anterior sobre o assunto, considerando ela “que a desigualdade social foi pela procura de terreno. Quando duas tribos se encontravam e guerreavam entre si para ver quem ficava com o terreno. E quem ganhasse ficava com a outra tribo e seu terreno. As famílias passavam a ser escravos da tribo que venceu a guerra”. Lídia coloca a desigualdade como um fator que começa quando povos guerreavam por espaços e mão-de-obra gratuita. Se pensarmos bem há razão nisso, pois quando alguém se transforma escravo de outro realmente há uma desigualdade entre elas.
Outros alunos quando perguntados sobre o assunto trouxeram reflexões sobre essa desigualdade na atualidade, dizendo que “as desigualdades sociais não foram reduzidas, ao contrário, agravaram-se. Vários elementos da questão social atravessaram a história, entre eles, as lutas camponesas e operárias, as reivindicações dos movimentos segmentados (feminista, negros, etc...), a luta pela terra e outras. Resumindo, é a própria dialética social, a luta de classes. O mesmo processo que levou a humanidade ao progresso criou as desigualdades resumidas na Questão Social” (Werlesson Magalhães 1º D). Essa visão de Werlesson visa mostrar que a desigualdade promovida pelos primeiros Estados não foi quebrada com a modernidade e talvez até piorada com o tempo.
Outra colega nossa que deixou sua reflexão sobre o tema foi à alunaLeonízia de Sousa (1ºD) sobre a desigualdade social antiga e atual. Segundo ela “sempre tem um motivo para nos deixarmos diferente, pode ser por classe social, pela força física ou mental. Atualmente a pessoa pode ser do tamanho do mundo, mas se não tiver força mental ela não é nada. Há muito tempo as pessoas vem sendo divididas por classes sociais e essa divisão começou quando o estado se formou, porque algumas pessoas começaram a se destacar e foram sendo divididas as classes pelas coisas que as famílias faziam: se eram agricultores só se relacionavam com agricultores e assim se dividiram, como nos dias de hoje”
O importante é que nossa escola, feita de futuros profissionais e grandes intelectuais não aprofunde mais ainda essa desigualdade que já existe. Os homens são diferentes desde que nascem, mas a pobreza não é de nascença, é sim um fator social que favorece alguns e prejudica outros, desde as primeiras formas de organização.
Danilo Celedônio
Professor de História

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