16 de agosto de 2011

O Circular

 
Como diz a antiga piada, tudo é passageiro, menos o trocador e o motorista. Tem um fundo de verdade, pois o que há em comum a todos os passageiros é que todos desejam ir a algum lugar, seja mais perto ou mais longe, afinal ninguém enfrentaria aquele empurra-empurra matinal por hobbie. A adrenalina aumenta quando se está na parada do ônibus e gritam “lá vem o circular, e tá lotado!”
É, realmente é melhor subir se não quiser chegar atrasado no lugar desejado. Passar na primeira fase do jogo é conseguir atravessar a roleta com gente lhe empurrando por trás. A situação piora quando a maldita bolsa fica presa na roleta e sua preciosa moedinha cai no chão, lhe obrigando a fica naquela posição indesejável catando sua moedinha de R$ 0,25 (sabe como é a vida de estudante). Aliás, uma moeda de R$ 0,25 não é nada, pior quando o seu dinheiro da passagem (R$ 0,85) todo em moedas de R$ 0,05 cai no chão. Até encontrar... E detalhe, isso ainda na entrada.
Depois de enfrentar o dragão chamado roleta, difícil é encontrar um espaço para colocar o pé. Outro dia mesmo eu levantei o pé para coçar e ele lá mesmo ficou, no ar, não havia espaço. Próxima parada, mais gente. E para “melhorar”, um homem com televisor na cabeça. Vendo sua subida, uma senhora que estava na frente gritava: “Ah, meu Deus, meu filho, ‘tá’ achando o ônibus vazio, né? Oh marmotagem! Ave Maria, assim eu chego toda quengada!”
Passar para a segunda fase é conseguir dar sinal para descer, e, acredite, é duro chegar até lá quando se tem um homem com um televisor na cabeça e uma grávida que se recusa a ficar sentada, bem no meio. Em uma tentativa sem sucesso para apertar o botão, peço a um senhor para dar sinal por mim. Finalmente desço, ufa! Ainda bem que superei esse rojão. Aliás, se não tivesse passado por isso, jamais escreveria essa crônica.

Ana Cláudia Nascimento

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